Descobrir São Paulo aborda arte e sustentabilidade nas margens da cidade

Em visita ao Grajaú, jovens aspirantes a jornalistas conhecem a iniciativa Imargem que une meio ambiente e cultura como forma de gerar impacto na comunidade local, fortalecendo vínculos territoriais, promovendo a sustentabilidade e ampliando o acesso à arte e à formação cidadã.
Texto: Catarina Martines | Fotos: Danilo Zelic
No último sábado (25), os estudantes do 18º curso Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter do Futuro, se reuniram às margens da Represa Billings para o quarto encontro do módulo.
Em uma visita ao bairro Grajaú, extremo sul da capital, os jovens jornalistas conheceram a associação Imargem, ou Casinha, e tiveram contato com a apresentação de dinâmicas sociais e culturais que perpassam pelo território.
A Casinha tem seu endereço próximo a represa Billings o que, para o educador e um dos organizadores do instituto, Wellington Neri - ou Tim, como gosta de ser chamado - marca o propósito da associação: ser a imagem para as margens que circundam a capital paulista.
Tim falou sobre as quatro frentes de atuação da instituição, que envolvem arte urbana e graffiti, navegação à vela, permacultura e alimentação saudável.
Estela Cunha, também educadora ambiental da associação, explicou o conceito de permacultura, definição que, para além de uma “rasa” conscientização, apresenta de maneira aprofundada e prática as noções de sustentabilidade para a comunidade. Tal propósito, segundo é, é base para as outras frentes de ação da associação, que oferecem à população possibilidades de acesso à saúde, cultura, esporte e educação.
Os estudantes conheceram a sede da Imargem que, desde o telhado até a terra, garantem sustentabilidade no seu espaço físico. Cisternas, compostagens, telhado verde, horta e biblioteca comunitária: nesse lugar, meio ambiente e população se entrelaçam em uma rede de mútua colaboração.
A associação também oferece cursos para a população sobre formas de construção e hábitos mais sustentáveis, além de promover iniciativas socioambientais voltadas às crianças, incentivando desde cedo o cuidado com a natureza, a alimentação saudável e o senso de pertencimento ao território.

Arte como pertencimento
No meio disso tudo, há o colorido dos grafites. Seja na sede do Imargem ou nas ruas ao seu redor, a arte urbana domina esse espaço. Os grafites marcam presença com as mais diferentes técnicas. Fotos que tem seus limites transpassados através da pintura, obras feitas com stencil e mapas da região são alguns exemplos dos métodos e temas presentes.
Além de Tim, que também é artista visual, seu irmão, Mauro Neri, esteve presente na conversa com os alunos. Mauro é responsável pelo projeto Veracidade, outra iniciativa que utiliza a arte para promoção de discussões sobre o uso do espaço urbano. Ele compartilhou com os jovens jornalistas sua experiência enquanto grafiteiro: a dificuldade de lidar com a falta de incentivo, falta de apoio público, o prazer de transmitir uma mensagem social e democrática por meio do trabalho, a função social da arte urbana.
Saindo do Imargem, a turma caminhou pelas ruas do bairro e visualizou as diversas iniciativas na prática, como grafites criados em conjunto com a comunidade e uma biblioteca móvel.
De volta à associação, o cheiro emanado pela cozinha comunitária se concretizou em refeições produzidas a muitas mãos, momento que reuniu os participantes em um momento de partilha e convivência.
Já no domingo (26), os integrantes estiveram presentes na 3ª edição do Ato e Canto pela Vida, que aconteceu na Praça Vladimir Herzog e teve como tema a comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho.
Veja como foi, aqui: Praça Vladimir Herzog recebeu a 3ª edição do Ato e Canto pela Vida e pede um basta aos acidentes e mortes no trabalho.
Confira como foram os encontros de formação deste módulo:
Legislação e ocupação de espaços públicos foram temas de encontro do Projeto Repórter do Futuro
Encontros incentivam estudantes a observarem o colorido de uma cidade cinza
Sobre o Repórter do Futuro
Criado em 1994, o projeto de formação tem como proposta complementar as atividades práticas laboratoriais de alunos matriculados nos cursos de Jornalismo com foco no estímulo à prática reflexiva e no exercício da reportagem. Ao longo de 30 anos de existência, desenvolveu e aperfeiçoou uma metodologia própria para conduzir pedagogicamente suas atividades por meio de Conferências de Imprensa seguidas de Entrevistas Coletivas.
Os alunos são acompanhados, individualmente, na produção de seus textos e, ao final do módulo, desenvolvem uma produção jornalística - impressa, radiofônica, televisiva ou multimídia - a partir de uma reportagem de fôlego, com foco no empenho para sua publicação. É a chamada Operação Ponto Final, que neste projeto é desenvolvido em duplas e no bairro de livre escolha dos estudantes. Com esta proposta pedagógica, são igualmente beneficiados por esta formação os estagiários de comunicação que atuam nos gabinetes dos vereadores da Câmara Municipal.
A Escola do Parlamento
A Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo foi criada pela Lei nº 15.506 de 13 de Dezembro de 2011, com o objetivo de oferecer aos parlamentares e munícipes subsídios para identificar a missão do Poder Legislativo e desenvolver programas de ensino, cursos e eventos direcionados à formação e à qualificação de lideranças comunitárias e políticas.
De lá para cá, a Escola do Parlamento adotou como missão institucional a promoção de eventos voltados à formação e à educação em cidadania e política de cidadãos e servidores, além de uma série de cursos de curta duração, ciclos de debates e seminários sobre temas centrais da cidade de São Paulo. Neste sentido, destacam-se a abordagem de temas como mobilidade, cultura, imigração, população em situação de rua, questões de gênero e reforma política.
A parceria com a OBORÉ constitui importante frente de atuação da Escola na promoção da educação política dos cidadãos e profissionais que lidam diariamente com a realidade e os dilemas metropolitanos, como saúde, educação, transporte, cultura e violência. Das 18 edições do módulo Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter, 15 foram realizadas no escopo desta parceria com o propósito de qualificar estudantes de jornalismo para uma cobertura crítica e aprofundada da nossa cidade.
SERVIÇO
PROJETO REPÓRTER DO FUTURO
Curso Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter - 18º edição | 2026
De 11 de abril a 9 de maio de 2026
Realização:
OBORÉ e Escola do Parlamento | CMSP
Apoio:
Abraji - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo | IPFD - Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas e Sociais | CÉU - Museu de Arte a Céu Aberto
Mais informações:
Telefone: (11) 2847.4567 | Whatsapp: (11) 99320.0068
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