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O rádio como educomunicador
Por Katia Abreu
O debate O Rádio Como Educomunicador, que ocorreu na tarde do dia 22 de setembro dando seqüência aoSeminário Onda Cidadã: Radiodifusão, Cultura e Educação, evocou Paulo Freire para ressaltar a necessidade da educação para transformar a sociedade. A professora Dirce Gomes, diretora de estatísticas da educação básica do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa do MEC, enfatizou que a utilização dos meios de comunicação como rádio e televisão são de vital importância para oferecer ao aluno uma nova visão de mundo. “Temos que compreender os meios de comunicação como outro lugar do saber, usá-los para educar os alunos”, comentou Dirce a respeito da interação entre educação e comunicação.
Segundo ela, o grande desafio do MEC é induzir políticas que possibilitem encurtar a distância entre a educação que queremos e a educação que fazemos hoje. Para isso, Dirce considera importante interagir com o jovem: “Nesse sentido, as rádios comunitárias têm papel fundamental porque atendem o espaço territorial do jovem, percebem as necessidades que eles têm”. A professora destaca ainda que o rádio não deve ser apenas um instrumento para dar voz aos alunos, mas que deve ser incorporado às práticas pedagógicas das escolas. “Já temos conhecimento de professores usando rádio na alfabetização. O deficiente visual vislumbra novas possibilidades de aprendizagem com o uso de rádio na educação.”
Entretanto, a diretora do INEP mostrou dados da instituição indicando que do total de 210.271 escolas existentes no País, nem metade possui equipamentos de audiovisual ou material de mídia impresso (livros e periódicos), o que dificulta que novas experiências sejam implantadas.
Vínculo com a escola - Dirce foi uma das responsáveis pela implantação do Projeto Vida, em 1989, na gestão da prefeita Luiza Erundina. “O Projeto foi uma Lei Municipal, de autoria do vereador Carlos Néder, que propunha um programa de prevenção à violência nas escolas”, explicou a professora. A idéia do Projeto é fortalecer o vínculo com a escola, abrindo-a no fim de semana e desenvolvendo ações educativas não apenas com as crianças e adolescentes, mas com toda a comunidade.
A partir deste projeto foi elaborado o Educom.rádio, em parceria da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo e da Escola de Comunicações e Artes da USP. Coordenado pelo professor Ismar Soares, o Educom.rádio monta pequenos estúdios de transmissão de rádio com freqüência que não ultrapasse os muros das escolas. Até 2004, quando se encerra o projeto, espera-se capacitar 11500 pessoas, nas escolas de ensino municipal, capazes de produzir conteúdo e gerenciar rádio. “É interessante notar que a educomunicação vem da sociedade civil e não da academia. Ela é responsável por movimentos como o Rio 92, por exemplo, e apresenta um profissional novo, que vem de diversas áreas, inclusive da educação e da comunicação, e que provoca pequenas revoluções culturais”, observou Ismar. Ele destacou ainda a necessidade de o uso do rádio nas escolas não estar desvinculado de projetos pedagógicos: “Não queremos fazer um projeto paralelo, mas integrar educação, tecnologia e comunicação”.
Matias Vieira, responsável pelo Projeto Vida na Secretaria Municipal de Educação, lembrou que o papel do Educom é trazer a escola para o diálogo com a sociedade civil: “Temos que pensar a escola que temos e a escola que queremos. O rádio aparece como uma possibilidade de intervenção, com o jovem como sujeito do processo”. Matias vê em iniciativas como esta uma possibilidade de melhorar a qualidade da educação. “O jovem passa a questionar os valores disseminados pelos meios de comunicação. Ele quer e tem potencial para construir alguma coisa.” |
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