O radialista e a Onda Cidadã : o nosso desafio
Por Wellington Costa
Heródoto Barbeiro, diretor regional de jornalismo do sistema globo de rádio / CBN, analisou os principais desafios dos radialistas, sobretudo nos temas radiodifusão, educação e cultura, ao ser entrevistado por Claudiney Ferreira, consultor de comunicação do Itaú Cultural na manhã dia 22 de setembro durante o Seminário Onda Cidadã: Radiodifusão, Cultura e Educação.
O primeiro destaque feito por Heródoto foi a indisposição que existe entre os jornalistas e radialistas. “É preciso terminar com essa briga que existe entre os profissionais do rádio. Eles têm que entender que precisam se unir em torno do veículo e não dizer que um não pode fazer matéria porque é radialista e outro não pode narrar por que é jornalista. Os comunicadores devem se voltar para o comprometimento com comunicação e cidadania.”
O segundo passo foi tentar desmitificar a imagem que as pessoas têm do rádio, pois, de acordo com Barbeiro, quando se fala em rádio muitos lembram do aparelho e não do meio. Aliás, ele pode ser transmitido por diferentes meios, como as ondas tradicionais, caixas de som espalhadas pelo bairro ou pela Internet.
“O rádio é uma ferramenta muito importante devido à facilidade de acesso e à deficiência de leitura das pessoas. Exemplo disso é o grande investimento feito pela BBC no seu editorial brasileiro”, explica. O que fez a rede inglesa deveria ser um modelo a ser seguido pelas rádios comunitárias: a segmentação dos editoriais, para que a população procure informações e atrativos que não encontram nas rádios comercias que existem hoje no Brasil.
Para finalizar, o radialista ressaltou a importância de se fazer uma programação com uma linguagem adequada ao público, respeitando a identidade dos ouvintes da rádio e se possível trazer essas pessoas para participar da programação enfatizando o caráter público das comunitárias.
Heródoto Barbeiro também está trabalhando para a criação de uma rádio comunitária na cidade de Mogi das Cruzes, próxima da capital paulista. “Nós criamos uma Organização Não Governamental com participação de moradores da cidade e pessoas que freqüentam a região com o intuito de melhorarmos a qualidade de vida das pessoas. Identificamos a necessidade de um veículo de comunicação para ampliar a participação das pessoas dentro do nosso projeto”. |