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A tradição musical no rádio brasileiro
Por Lidia Neves
Música e rádio são cúmplices e suas histórias estão muito vinculadas uma à outra. Esta foi a reflexão do debate A Tradição Musical do Rádio Brasileiro , o primeiro do seminário Onda Cidadã: Radiodifusão, Cultura e Educação.
“Tradição musical no rádio é quase um pleonasmo. A música brasileira tem sua história totalmente vinculada à do rádio, desde que ele surgiu no Brasil, no final da década de 20. A riqueza musical da década de 30 é fruto disso”, disse o maestro e compositor Marcus Vinícius de Andrade, presidente da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes (AMAR).
No entanto, esta lógica mudou a partir da década de 70, quando, por “profissionalismo” e com o pensamento voltado para o setor comercial, o vínculo entre rádio e cultura musical passou a ter como mote a questão financeira. “O mercado brasileiro tem atravessado uma profunda crise de conceito e de responsabilidade com a própria música, tentando instalar no Brasil uma ‘monocultura'. Isso tem sido visto especialmente nas rádios comerciais”, afirmou Edson Natale, gerente do núcleo de música do Itaú Cultural.
Organizador da parte musical do projeto Rumos no Instituto, Natale ressaltou a preocupação do Itaú Cultural em valorizar a variedade de músicas produzidas no Brasil. O trabalho das rádios cidadãs para a difusão destas músicas tem sido fundamental, segundo ele. “São estas rádios, também, que descobrem os novos talentos, por isso o contato com radialistas cidadãos é importante para nós”, afirmou. Andrade concorda com esta opinião, mas lembrou que é preciso fazer ressalvas. “Nem toda rádio comercial é vilã e nem toda rádio comunitária é mocinha”, disse.
Marcus Vinícius ressaltou a importância de políticas públicas que valorizem a diversidade musical e combatam a comercialização dos espaços dedicados à produção jornalística e cultural. “A radiodifusão é um serviço público, é uma concessão. As rádios não têm o direito de privatizá-lo, vendendo-o ou colocando programação vendida como se fosse informação”, afirmou.
O combate ao “jabá” - prática de pagar às rádios para veicular as músicas de interesse das gravadoras - precisa ser feito com legislação que o coíba , mas também com a ajuda das rádios cidadãs, que divulgam a diversidade cultural e a música de boa qualidade, segundo os palestrantes. Eles falaram, ainda, sobre a importância da união entre as rádios cidadãs e os selos independentes ( ver texto Rumo à diversidade: Selos Independentes e Rádios Comunitárias começam parceria ) , para combater a “monocultura” e mapear os talentos espalhados pelo Brasil. |
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