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A Cultura Brasileira nas Ondas do Rádio
Por Andréia Fernandes
Mais que representar o Ministério da Cultura durante o último debate do seminário Onda Cidadã, Sérgio Sá Leitão, chefe de gabinete do MinC, aproveitou o evento para contar um
pouco de sua experiência na Rádio Fluminense durante os primeiros anos da década de 80. A emissora idealizada por Luís Antônio Mello, que durante este período recebeu a alcunha de "Maldita" por seu caráter contestador, foi uma das mais importantes rádios alternativas do País.
"Não existe um carioca por volta dos 30 anos que não tenha ouvido a Rádio Fluminense durante este período. Lá, nós conseguimos uma experiência de rádio livre, baseada no conceito da interatividade", ressaltou Sá, dando início ao debate A Cultura Brasileira nas Ondas do Rádio . O
chefe de gabinete considera a Rádio Fluminense uma "experiência intensa" em sua vida e lembrou de episódios curiosos desta época. "Tínhamos um programa que se chamava A Hora do Corno , só podia ligar e pedir música quem fosse corno. Era engraçadíssimo. Além disso, tínhamos uma programação toda dedicada ao ouvinte. Ele podia ligar a qualquer momento para discutir qualquer assunto, inclusive falar mal de pessoas públicas. Muitas vezes saía palavrão",
lembrou.
Foi essa espontaneidade que, segundo Sá, gerou descontentamento entre os empresários que sustentavam a rádio. Eles fizeram com que a Fluminense, depois de alguns anos de atividade, virasse uma rádio religiosa e, mais tarde, apenas uma retransmissora da Jovem Pan. "A Fluminense nasceu para ser uma rádio comercial e acabou se transformando em algo revolucionário. Hoje, as rádios comerciais não se submetem a este tipo de experiência", lamentou.
Para Sá, as rádios comunitárias têm a qualidade de resgatar um pouco do espírito da Fluminense e aumentar a proximidade com o ouvinte. "Essas emissoras são um dos maiores fenômenos do campo social. Não são um fenômeno isolado, elas existem no Brasil inteiro", afirmou o chefe de gabinete, citando o fato de a Rede Globo ter disponibilizado o áudio de alguns de seus programas para rádios comunitárias. "Isso mostra que as rádios comunitárias estão chamando a atenção dos grupos poderosos de comunicação. Não dá mais para ignorá-las".
Apesar de reconhecer o fenômeno, o chefe de gabinete admitiu que o MinC, dentro de seu campo de atuação, ainda não tem nada de concreto para apresentar a este setor da comunicação.
Mas afirmou, por outro lado, que as rádios comunitárias têm grande importância para o Ministério. "O MinC é a base do projeto de construção da República baseado em valores nacionais, e vocês têm um papel fundamental nisso. Por isso, nós devemos pensar no que podemos fazer para ajudar as rádios comunitárias, sem interferir no conteúdo delas".
Sérgio Sá Leitão saiu bastante satisfeito do encontro. "Este evento é importantíssimo no sentido de reunir experiências muito variadas de pessoas que trabalham com emissoras
comunitárias, de Internet e universitárias para discutir a questão da radiodifusão do ponto de vista da comunicação, da educação e da cultura". Ele afirmou também que o Ministério
da Cultura tem muito interesse em trabalhar a radiodifusão como uma das formas importantes de impulsionar a divulgação dos bens culturais da sociedade brasileira.
"Uma das nossas preocupações fundamentais é de como nossas ações podem ampliar o acesso dos cidadãos brasileiros aos meios de produção dos bens culturais. Neste sentido, a rádio pode ter um papel fundamental e procurei compartilhar isso com as pessoas presentes no debate e convidá-las a pensar nestas questões". |
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