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    Maestro critica manipulação do gosto musical popular

    Por Andréia Fernandes

    Para o maestro e compositor Marcus Vinícius de Andrade, atual presidente da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes (AMAR), as rádios convencionais estão servindo como meio para a manipulação do gosto popular. “A música tocada na rádio, tida como música de gosto popular, é uma mentira. Tudo não passa de uma grande manipulação das grandes gravadoras, que estão pagando às emissoras de rádio para que estas incluam a música em sua programação”.

    A “estratégia” de marketing das indústrias fonográficas foi o assunto mais discutido durante o debate realizado na manhã do dia 22 de setembro, no Itaú Cultural, durante o seminário Onda Cidadã: Radiodifusão, Cultura e Educação. Ao lado de Edson Natale, gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural, Andrade abordou este problema como a grande pedra no caminho para a construção de uma programação de melhor qualidade nas rádios.

    O maestro acredita que este tipo de discussão seja importante para uma reformulação do vínculo entre o rádio e a música. “Eventos assim servem como canalizadores para esta consciência que estamos tentando implantar. Claro que não podemos ser ingênuos e acreditarmos que o mundo vai ficar cor-de-rosa só porque a gente se reuniu. Mas se não sairmos daqui certos de que a discussão lá de dentro deverá ser levada para a prática cotidiana, as coisas não vão mudar mesmo”.

    Para Andrade, sua maior contribuição para o seminário foi trazer as informações do que ocorre na área da música. “É dizer, por exemplo, que esta música que está sendo executada na rádio não é uma demanda do público e sim uma demanda comercial, criada artificialmente pelas gravadoras, muitas vezes pelos próprios artistas. Não se trata de discutir se a música é de baixa ou de boa qualidade, e sim que há uma manipulação, e este é dado prejudicial”.

    Andrade afirma que saiu com boas impressões do evento. “Estou vendo bastante gente inteligente, ativa e que está realmente sintonizada nesta onda cidadã no sentido de fazer com que o espaço da comunicação no Brasil, que no meu entender é um espaço público, não pode estar submetido a interesses de natureza setorial. No momento em que vejo pessoas interessadas em discutir este tipo de assunto, o saldo já se prenuncia extremamente positivo”.