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    Socializar conhecimento é fundamental para construir cidadania

    Por Katia Abreu

    “Quem detém o conhecimento tem que socializá-lo e quem conhece a tecnologia deve ajudar para que os outros a conheçam também.” O professor Ismar de Oliveira Soares, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e responsável pelo projeto Educom.rádio, acredita que a partir da troca de experiências entre os detentores da informação e da tecnologia será possível construir um modelo cidadão de educação e comunicação.

    “Um projeto cidadão é aquele que permite um técnico se associar à população mais carente, aos sistemas que desenvolvem projetos nas cidades, como as escolas e os centros culturais, para permitir o maior acesso possível a essas tecnologias.” Nesse sentido, Ismar vê encontros como o Onda Cidadã como um estímulo a que setores da sociedade estabeleçam um diálogo importante para a construção de um movimento mais sólido. “Tanto as pessoas que estavam aqui na platéia quanto as que estiveram na mesa puderam falar abertamente, com muita sinceridade, e isso faz a discussão avançar.”

    O projeto Educom.rádio é um programa desenvolvido junto a 455 escolas do município de São Paulo, a partir de um contrato entre o Projeto Vida, a Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo e o Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP. A idéia é capacitar 11.500 pessoas, entre professores, alunos e membros da comunidade, para trabalhar com a linguagem radiofônica. “O que nós queremos, a partir da proposta da Prefeitura, é a redução da violência nas escolas e a aprovação de uma prática cidadã, voltada para uma cultura da paz”, comenta Ismar.

    O professor explica, entretanto, que ainda existe resistência em parte das escolas onde o projeto é aplicado. Por um lado, o desconhecimento da tecnologia necessária para todo o processo de implementação das rádios nas escolas; por outro, o fato de a experiência subverter a hierarquia do sistema educacional vigente (os alunos acabam se tornando mestres e ensinando aos professores a prática do rádio). “Mas acho que encontros como esse podem servir para que experiências pequenas ou grandes se socializem, as pessoas cresçam e possamos ter legitimado o conceito e a prática da educomunicação, o que vai reduzir a resistência a essas práticas inovadoras.”

    Outra questão que Ismar considerou importante no encontro de radialistas, educadores e comunicadores foi o contato destes com os possíveis futuros profissionais da área, uma vez que estavam presentes, entre os participantes, alguns participantes do Educom.radio, alunos do ensino básico da rede municipal. “Grande parte das crianças que se formam no Educom gostaria de ser jornalista, gostaria de ser radialista. Na verdade, a nossa preocupação não é de que eles sejam profissionais, mas de que eles sejam comunicadores. Isso eles já são. Por outro lado, o que nos interessa é que os comunicadores e os radialistas entendam que eles poderão estar colaborando com a nova geração. E nós estamos aguardando que a aproximação entre esses profissionais e esses jovens se dê.”

    A atuação das rádios do Educom, porém, ainda se restringe aos muros das escolas. Mas para Ismar, só a possibilidade de a produção dos alunos atingir toda a comunidade já é perfeita, embora esbarre em barreiras legais. “Estamos vendo que esse conflito começa a ser solucionado através de algumas iniciativas, como a da rádio Itabuna, de criar rádios educativas comunitárias em escolas. A nossa esperança é de que futuramente as escolas possam criar suas emissoras de rádio, dessa forma, as crianças estariam devolvendo aos pais a educação que estão recebendo da escola.”

    Ismar se mostra confiante em relação aos próximos passos da Educom.rádio: “Os equipamentos estão ficando mais baratos, e a nova geração de alunos já vem muito próxima das novas tecnologias. Isso permite que os projetos caminhem de uma forma muito positiva”.