Acompanhe as edições do Onda Cidadã nas seguintes cidades:

  • Rio de Janeiro
  • São Paulo 2006
  • São Paulo 2003
  • São Paulo 2004
  • Bauru
  •  

    voltar

    No volume certo: a rádio cidadã cumprindo sua função

    Experiências inovadoras desenvolvidas nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraíba


    Durante a segunda palestra do Seminário, No volume certo: a rádio cidadã cumprindo sua função, Gilda Soares Miranda, do programa Momento Universitário (Vila Velha – ES), Moacir Barbosa de Sousa, da Universidade Federal da Paraíba, e Sebastião Santos, da Rede Viva Favela da ONG Viva Rio mostraram experiências criativas em que o instrumento rádio é usado a favor dos interesses da comunidade.

    No Espírito Santo, os alunos de radiojornalismo da professora Gilda começaram a se empenhar em busca de uma rádio que pudesse veicular suas produções. Foi a rádio comunitária 105.9 FM Praia da Costa quem acolheu a turma da Universidade de Vila Velha (UVV) e há um ano transmite, semanalmente, o programa Momento Universitário, feito pelos alunos, tratando de questões ligadas à melhoria das condições de vida em Vila Velha. “Houve uma aceitação fantástica e a emissora já propôs que fizéssemos mais programas informativos”. A rádio está no ar já há dois anos e é mantida pela Associação de Moradores local.

    O mesmo movimento de sinergia entre rádio comunitária e Universidade ocorreu na Paraíba, como contou o professor Moacir Barbosa de Sousa , chefe do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. Ele desenvolve junto aos alunos um projeto de formação de agentes comunicadores para rádios comunitárias, em parceria com a ONG Liberta, na Comunidade Maria de Nazaré, que surgiu de uma ocupação irregular em 1987. “A parceria possibilitou compra de equipamentos de rádio poste, além do treinamento para questões da saúde, e possibilitou maior empenho da comunidade para as questões da comunicação”.

    Sebastião Santos, da ONG Viva Rio, contou a experiência da Rede Viva Favela. A partir da idéia de criar uma agência de notícias sobre as favelas do Rio de Janeiro, foi construído um portal com notícias produzidas pela própria comunidade. “Mas começamos a reparar que as comunidades não tinham acesso a esse material. Então criamos telecentros – são 15 hoje no Rio – para devolver à comunidade a notícia que ela mesma produzia.” Tião, como é conhecido, explica que o portal hoje se transformou em um grande ponto de pautas, capaz inclusive de pautar a grande mídia.

    Mas o projeto não parou por aí. Fizeram uma rádio web e deram início a uma rede de rádios comunitárias (www.redevivafavela.com.br). E, finalmente, conseguiram um canal radiofônico real para a rádio. “A antiga rádio tocava pagode e transmitia corrida de cavalos, mas estava em quarto lugar no Ibope. Quando assumimos, fomos para décimo oitavo. Estamos subindo agora”, conta. “O sonho da rede é ousado, queremos chegar a 300 rádios no Brasil”, revela.

    Ele revela ainda dados de uma pesquisa do ISER (Instituto de Estudos da Religião), em que dois terços das comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro (700 mil pessoas) escutam rádios comunitárias. E 52,6% escutam porque elas divulgam notícias específicas sobre a comunidade. “Temos trabalhado na rede a idéia de que rádio comunitária é um poderoso instrumento de desenvolvimento local”, conclui Tião.



    Leia Também :

    O radialista e seu desenvolvimento [ leia ]
    Adriane Gazzola (Senac/Rio), Maria Clara lanari Bó (Senac Nacional) e Ismar Soares (Universidade de São Paulo). Mediação Sérgio Gomes (OBORÉ).

    Cultura e informação nas rádios cidadãs [ leia ]
    Edson Natale (Itaú Cultural), Orlando Guilhon (Rádio Mec), Ana Baum (Universidade Federal Fluminense) e Pena Schmidt (Associação Brasileira de Música Independente)