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Entre as mais ouvidas da capital baiana
Por Terlānia Bruno
Comemorando 25 anos, a Rádio Educadora é a emissora que mais toca músicas em Salvador. São cerca de 400 músicas por dia, 18, em média, por hora. Ocupando o sétimo lugar no ranking de audiência da cidade, de acordo com pesquisa do IBOPE, a Educadora busca, através de uma programação diferenciada, manter a posição de destaque entre as 17 emissoras que existem no município. A rádio é líder no segmento de nível universitário e público de classe social A e B acima de 25 anos.
O jornalista Humberto Sampaio assumiu, no início do ano, a coordenação dos novos projetos na rádio. Os novos programas foram idealizados por ele e pela equipe de 53 pessoas da rádio, formada por músicos, pedagogos, jornalistas, radialistas, todos servidores públicos, a maioria concursados. Segundo Sampaio, havia uma equipe muito boa que era subutlizada e o apoio da nova diretoria do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia foi muito importante para mudar essa situação.
O órgão, ligado ao governo do Estado, era vinculado à Secretaria da Educação e neste ano passou para a Secretaria da Cultura. “Talvez por isso a gente tenha tido essa abertura para promover essas mudanças”, disse o jornalista.
De acordo com ele, a Educadora toca tudo que as outras rádios não tocam. “Antigamente, tinha o disco de vinil com lado A e lado B. O lado A a gravadora promovia e o lado B não, então a gente tocava o lado B e continuamos tocando o lado B, essa é uma característica da Educadora”. A emissora tem o maior alcance em FM, em Salvador. Com torre de 80 metros e transmissor de 35 kw, consegue atingir um raio de até 140 Km a partir do ponto de irradiação. Abrange todos os 12 municípios da região metropolitana.
Memória do rádio - A Educadora se destaca também pela diversidade musical. As músicas não são repetidas, a não ser no horário da seleção do ouvinte (uma hora por dia e duas aos domingos). Inteiramente informatizada, o sistema da rádio trava se, por acaso, alguém programar uma das mais de 7 mil músicas do acervo que tenha sido tocada na última semana.
A rádio apresenta todos os dias, das 21h às 22h, o programa “Faixa Nobre Educadora” em que cada dia da semana é dedicado a um ritmo musical. Tem ainda o programa “Outros Baianos”, apresentando novos músicos da terra que estão fora da grande mídia. “Isso foi também uma das coisas que a Rádio Educadora começou a fazer. A cada hora de programação toca pelo menos um desses outros baianos para divulgar essa nova música da Bahia e para dar espaço a esses novos artistas”, afirma Sampaio.
O programa “Memória do Rádio”, apresentado pelo radialista e pesquisador Perfelino Neto também é um desses novos projetos. São 700 programas de uma hora de duração que resgata a história do rádio no Brasil através de entrevistas exclusivas com personalidades e artistas, como Roquete Pinto, Aracy de Almeida, Ciro Monteiro, entre outros grandes nomes.
Perfelino trabalha em rádio há 44 anos e é funcionário da Educadora há 25 anos. Para Sampaio, não há ninguém com um acervo tão grande quanto o dele, mesmo assim o radialista nunca conseguiu espaço na rádio para o programa. “Chegou até a coordenação da rádio várias vezes, mas por questões políticas era sempre afastado”, lembra.
“Memória do Rádio” alterna entrevistas e músicas e vai ao ar das 22h às 23h, todos os dias. “Escolhemos um horário específico para quem quer ouvir esse tipo de programa. Mesmo que tenha pouco audiência, nós ganhamos um ouvinte cativo”.
Festival inédito - Também está em andamento o “Primeiro Festival Educadora de Música”. “É um festival completamente diferente de qualquer outro que você já tenha visto, porque acontece dentro da programação da rádio. Não fizemos uma seleção de música para colocar todo mundo dentro de um teatro e dali extrair um vencedor. A gente abriu inscrições para gravações que deveriam ter qualidade técnica para serem executadas na rádio, independente da música ser boa, a gravação tinha que ter qualidade”, explica Sampaio.
De 1868 inscrições foram selecionadas, em dez dias de trabalho, 50 músicas. O maestro Tom Tavares é quem coordena o festival que começou em julho e acaba em outubro. A Educadora só repete uma música a cada sete dias, mas no caso das finalistas, cada uma delas toca duas vezes durante a programação e os ouvintes podem votar através do site da rádio, email ou telefone. “Tem sido fantástico, porque as outras rádios de Salvador já começaram a tocar as músicas classificadas no festival da Educadora”, conta Sampaio. As músicas não classificadas passaram a fazer parte da programação normal da emissora.
“É por isso que o trabalho do Itaú Cultural e da OBORÉ veio a calhar, porque é impossível que a agente tenha isso e fique só pra gente. É interessante que isso se expanda. A gente tem esse material e a programação está disponível no site (www.educadora.ba.gov.br) para ser utilizada por rádios com perfil educativo, rádios públicas, universitárias e até comunitárias, para que possam utilizar esse conteúdo gratuitamente”, afirma. |
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