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Tirar jovens das drogas motiva criação de rádios comunitárias
Por Kátia Abreu e Lidia Neves
Uma rádio comunitária pode ajudar a tirar os jovens das drogas. Esta idéia, exibida no filme Uma Onda no Ar, de Helvécio Ratton, pode parecer um pouco fora da realidade para muitas pessoas. Mas algumas casas de recuperação para dependentes químicos têm acreditado nisso e investido no trabalho de radiodifusão.
Foi assim que nasceram duas das rádios participantes do seminário Onda Cidadã: a rádios Viva Vida FM 103,7, de Santo André, e a Vozes do Desafio, de Suzano, ambas ligadas ao projeto Desafio Jovem, formado por igrejas evangélicas e mais de 300 casas de recuperação espalhadas por todo o País.
“Na rádio, damos ênfase a depoimentos de quem já se recuperou, de médicos, músicas pertinentes, vinhetas e outras coisas que eu crio”, conta o pastor batista Aparecido Luiz Moura, da Viva Vida. Através da rádio, ele procura atrair dependentes de drogas e suas famílias para buscar ajuda e tentar a recuperação.
Para conseguir alcançar o objetivo, as duas emissoras procuram dar informação de qualidade, programação musical variada e contextualizada, como forma de atrair o ouvinte.
“Durante a semana, trabalhamos com música em geral – rock, MPB e outros tipos de música nacional –, só tomando o cuidado de não tocar aquelas que diminuem a mulher ou qualquer ser humano”, conta Juraci Bispo dos Santos, da Vozes do Desafio.
Embora preocupadas em falar ao público em geral, ambas reservam espaço, em sua programação, para momentos gospel, com músicas e mensagens que falam da fé evangélica. Tudo isso é feito pelas mais diversas igrejas evangélicas e grupos de outras religiões ou sem religião – quem quiser entrar com um programa na grade só precisa procurar os diretores.
A estratégia tem dado resultados. Moura conta que tem sido procurado, no ar e fora do rádio também, por famílias buscando ajuda. “O trabalho que fazemos na emissora ganhou credibilidade e agora somos procurados por escolas e outros locais para darmos palestras sobre prevenção e combate às drogas.”
Os dependentes químicos internados no Desafio Jovem de Suzano também têm a chance de ter na rádio sua primeira oportunidade de trabalho: aqueles que demonstram ter talento são convidados a participar da programação, como locutores, produtores e técnicos. Eles não recebem salários por isso, mas este caso não é exceção, já que nem mesmo os diretores são remunerados.
Toda a estrutura das rádios é feita de doações, desde a sala onde ela funciona até o transmissor e a antena. E o trabalho também é feito com muito carinho, por pessoas que vêem na rádio e na instituição um potencial de transformar vidas. |
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