|
|
Cultura e Informação nas Rádios Cidadãs
A importância da cultura e do jornalismo na formação das grades de programação das rádios foi o nome da terceira e última sessão do Seminário Onda Cidadã Rio de Janeiro.
Ana Baun, jornalista e professora de rádio da Universidade Federal Fluminense (UFF), deu início ao debate desafiando a platéia a discutir o que seria, de fato, um rádio cidadão. “Até que ponto é possível para o mercado a produção de um jornalismo cidadão? E até que ponto as rádios comunitárias estão produzindo um jornalismo cidadão?”
Ela partiu da chamada “pedagogia do rádio” proposta pelo autor uruguaio Mário Kaplun, que define três funções para o instrumento: informar, educar e entreter. “Ele defende a educação não como a transmissão formal do conhecimento, mas num sentido mais amplo, mais humanista, capaz de formar cidadãos que conheçam seus direitos e deveres. Para o autor, todos os programas de rádio influenciam na formação de valores e na forma de comportamento da população”, lembrou.
Durante sua exposição, Ana buscou em Kaplun e em outros autores a essência de que a informação é importante para a formação de valores e converte cada homem num agente ativo de transformação de seu meio. “Isso não seria cidadania? Então qual é o papel dos comunicadores nesse conceito de jornalismo cidadão?”, pergunta, deixando à platéia o desafio da reflexão.
Representando o Programa Rumos, o gerente de música do Itaú Cultural, Edson Natale, contou que, além de um mapeamento dos estilos musicais existentes no País, pretende-se promover “um pensar” sobre música. “Cada Estado tem suas peculiaridades e o maior benefício que se pode fazer à música brasileira hoje é interligar as coisas que já existem e não inventar coisas novas”, disse. Isso, para ele, é uma operação casada com as rádios. “Não dá para pensar nisso sem o envolvimento do radialista”, conclui.
Também em relação ao casamento entre rádios cidadãs e boa música brasileira, Pena Schmidt, da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), ressaltou a importância de as rádios procurarem pelos selos independentes. “A rádio vai procurar seu estilo de música através dos selos. Essa relação precisa ser especializada e cultivada”.
Pena disse ainda que é necessário incentivar o conceito de que rádio comunitária pode e deve trabalhar com música ao vivo, “isso esquenta muito a rádio e gera o casamento perfeito”, reforçou. Disse ainda que a ABMI quer aproximar-se das rádios comunitárias, “de associação para associação”. “Representamos uma rede de selos, queremos muito conversar com uma rede de rádios.”
Na tentativa de unir todas as premissas discutidas na mesa, quanto ao papel do rádio a favor da cidadania e da cultura, Orlando Guilhon, diretor da Rádio MEC, contou sobre a proposta de reestruturação da rádio, a antiga Rádio Sociedade, primeira emissora do País.
Ele faz parte da nova gestão que há 8 meses está reestruturando a rádio, “respeitando seus 80 anos de história”, enfatiza.
“A missão de uma rádio desse tipo é de um centro de difusão da educação, da cultura e da informação de qualidade, da cidadania e da prestação de serviço. Deve ter uma gestão com alguns princípios básicos: democracia e transparência na gestão pública, chamar a sociedade para participar do projeto, responsabilidade social e parcerias”, explica.
Na área de música, continua Guilhon, busca-se uma rádio anti-jabá e parcerias com selos independentes. “Temos um programa regional, três de sambas, dois de chorinhos, dois de música instrumental, um de jazz e quatro de MPB ao vivo. Ainda temos que resolver onde entra poesia, literatura, cobertura da área cultural, artes plásticas, teatro, radiodrama”, diz. |
|