Rádio Heliópolis, uma história de luta
Por Renata Amaral
Um grupo de aproximadamente 20 participantes do seminário Onda Cidadã aproveitou a manhã do domingo, dia 21, para conhecer uma das experiências mais marcantes quando se fala em rádio comunitária em São Paulo : a Rádio Heliópolis, situada na favela de mesmo nome, na zona sul da capital.
Durante a visita, percebemos a importância de se ter uma rádio realmente comunitária para que as pessoas possam ter voz, ou seja, para que possam ser representadas por pessoas da própria comunidade.
Pudemos acompanhar o trabalho de pessoas que estão envolvidas nesse meio há muito tempo, como Geronino Barbosa, lá conhecido como Gerô, que está há 11 anos tocando a rádio, desde que ela era chamada de Rádio Corneta (quando se resumia a alto-falantes nos postes).
Coincidentemente, a visita foi realizada no dia dos radialistas. A comoção foi geral: todos puderam falar no programa que ia ao ar no momento da visita e conhecer in loco a história da rádio.
Gerô deu uma pequena palestra sobre a função da rádio na comunidade. Segundo ele, o mais curioso da Rádio Heliópolis é que apesar de ser conhecida e reconhecida até pelos grandes meios de comunicação - Rede Globo, Folha de S.Paulo, Estadão - eles não conseguiram ser regulamentados, pois, de acordo com os estudos da Anatel, não há canal disponível no dial para São Paulo. “Mas cedem canais para as rádios comerciais”, reclama Gerô.
A maior preocupação dos visitantes estava em conhecer a programação, ver se todas as pessoas da comunidade realmente tinham vez e voz. Gerô disse que basta ter vontade e um projeto de programa para a rádio para poder participar. Aos poucos, ele foi nos colocando a par da evolução da emissora até chegar à rádio Heliópolis que funciona atualmente.
O encontro gerou a idéia de um intercâmbio entre rádios comunitárias de todo o Brasil, para que realmente tenham uma organização. Além disso, o encontro gerou muitas amizades e idéias, mostrando que as pessoas estão envolvidas e interessadas nos acontecimentos e no que podem fazer para melhorar e se aprimorar.
Gerô comentou sobre a semelhança entre os problemas enfrentados por rádios comunitárias em todo o País. “Os visitantes puderam ver que enfrentam os mesmos problemas que uma Rádio Comunitária de São Paulo, que teoricamente tem muito mais potencial e assistência; há uma briga e luta pelos mesmos objetivos e ideais, de uma rádio que atenda necessariamente a comunidade e preste serviços a ela. Isso não muda quando mudamos de região.” |