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    Rádios devem entrar na Era da Responsabilidade

    Sérgio Gomes, diretor da OBORÉ Projetos Especiais em Comunicações e Artes, empresa parceira na concepção e montagem do Seminário Onda Cidadã: Radiodifusão, Educação e Cultura , propôs durante o evento que, a partir do encontro, sejam criadas condições para que as rádios comprometidas com suas responsabilidades sejam reconhecidas por organizações de peso como o Itaú Cultural.

    “Talvez esse encontro crie condições para que instituições como o Itaú Cultural, Instituto Ayrton Senna, SEBRAE, Instituto Ethos, enfim, todos que mostram preocupação em relação ao papel das rádios, se aliem para dar reconhecimento às emissoras que entrarem na era da responsabilidade”, diz.

    Entrar na “era da responsabilidade”, segundo ele, é ter compromisso com quatro aspectos: responsabilidade social, veiculando informações sobre saúde, educação e agricultura; ambiental, valorizando a biodiversidade; cultural, mostrando a diversidade e combatendo o jabá; e comercial, veiculando os programas combinados e comprovando a audiência. Esse último item seria feito por meio da atualização do parque informático das emissoras, podendo comprovar através de softwares especializados que seus anúncios são efetivamente veiculados.

    Aquelas que cumprissem esses quatro quesitos ganhariam um selo ou um certificado de reconhecimento como uma rádio verdadeiramente cidadã. “Fica a proposta para ser pensada”, conclui Sérgio.

    Essa idéia já havia sido abordada pela equipe coordenadora da OBORÉ em resposta à entrevista feita para o Guia Brasileiro de Produção Cultural 2004 (Editora Zé do Livro), do músico e produtor cultural Edson Natale, gerente do núcleo de música do Instituto Itaú Cultural, e da advogada Cristiane Olivieri

    Abaixo, a íntegra da resposta (págs. 174-178):

    Há vários anos afirma-se que existe uma profunda e irreversível crise no rádio. Neste momento surgem as saudosas lembranças da 'Era de Ouro' do Rádio brasileiro. Qual a sua visão do potencial do rádio, a partir destas experiências da OBORÉ?

    A chamada crise no rádio está ligada à falta de verba publicitária que possibilita a sustentabilidade desse veículo. É sabido que o rádio tem imagem polêmica perante as agências de publicidade, que alegam altos custos para comprovação de veiculação ( segundo algumas grandes agências, não são raros os casos em que a emissora vende seu espaço, recebe o que foi contratado mas não veicula o anúncio) e altos custos operacionais por ser uma mídia difícil de planejar ( a negociação é feita com uma a uma das emissoras que, exceção às grandes redes, não têm um departamento comercial eficiente). Não é a toa que, do bolo publicitário do Brasil, apenas 5% é aplicado na mídia rádio, dos quais 80% nas grandes emissoras do eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

    O relacionamento com o rádio defendido pela OBORÉ não é mediado pela compra de espaço nem pelo envio de releases; é o de tratá-lo como um aliado, verdadeiro parceiro estratégico na viabilização de produtos, processos e projetos radiofônicos. Não se refere, portanto, a uma operação comercial e sim a uma ação parceira que convoca e estimula o viés cidadão e o compromisso que toda emissora deve ter na divulgação de assuntos de interesse público, inclusive por ser o rádio uma concessão pública. Este método procura resolver três grandes necessidades sensíveis e demonstráveis, hoje, nas pequenas e médias emissoras do interior do B rasil: falta de equipe para produções locais, falta de material de qualidade na programação e escassez de verbas de anunciantes. Portanto, o futuro do rádio, no nosso entendimento, passa por incentivar idéias de programação, novas pautas, ajudar a capacitar os radialistas no trato de assuntos de interesse da população e, ainda mais: ajudar as emissoras a entrarem na era da responsabilidade social, cultural e tecnológica. Isso quer dizer que seu parque informático precisa estar atualizado, podendo comprovar através de softwares especializados que seus anúncios são efetivamente veiculados. Pensamos que uma certificação, com os parâmetros de responsabilidade acima expostos, possa garantir o desenvolvimento dos empreendimentos radiofônicos e sua sustentabilidade.