Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Pesquisa no site
 
A OBORÉ
  Abertura
  Histórico
  Missão
  Frentes de Trabalho
  Parceiros
  Prêmios
  Fale Conosco
  Galeria de Fotos
Núcleo de Rádio
Núcleo de Cursos
Núcleo de Gestão da Informação
Notícias
Atividades Especiais
  OBORÉ: toques que ressoam há 40 anos
Ruam Oliveira | OBORÉ
  04/04/2018

OBORÉ: toques que ressoam há 40 anos

E para festejar, amigos, parceiros e companheiros de caminhada participaram do Encontrão na Câmara Municipal de São Paulo     

por Ruam Oliveira | OBORÉ
Fotos: Alice Vergueiro

 


ENCONTRÃO: substantivo masculino referente a choque, embate ou encontro súbito e inesperado entre pessoas. Mas nem sempre os acontecimentos acompanham a definição contida nos dicionários.

Na manhã do sábado, 24 de março, jornalistas, artistas, estudantes, parceiros e amigos que ajudaram a construir essas quatro décadas de história da OBORÉ reuniram-se no Auditório Freitas Nobre da Câmara Municipal de São Paulo. Foi dia de celebrar a vida, foi dia de festejar a luta.  

Liderados pelo jornalista Sergio Gomes, o Serjão -  um dos criadores da empresa, em 1978, e seu atual diretor titular -,  conhecido por seus bigodes e habilidade em reunir pessoas, os presentes  transformaram o nome do ato em realidade. O ENCONTRÃO não foi um choque, como ensinam os dicionários, mas um grande acontecimento.

Mais cedo, durante o evento  de seleção dos vinte estudantes de jornalismo para o curso “Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter”, módulo temático do Projeto Repórter do Futuro que tem como pano de fundo o jornalismo de cidades, Sergio Gomes ressaltou que “nada é feito sem equipe”. O ENCONTRÃO foi uma reunião de pessoas que, em algum momento, desde 1978, fizeram ou fazem  parte dessa grande e variada equipe e dessa grande e variada história que tem a OBORÉ.

Dentre os membros fundadores, lá estavam a cartunista Laerte Coutinho, a jornalista Violeta Marien, os também jornalistas José Vidal Pola Galé, Ricardo Carvalho e Ricardo Paoletti.  João Guilherme Vargas Netto, analista político e consultor sindical ( ele foi da direção da OBORÉ a partir de meados dos anos 1980), também esteve presente e foi convidado a integrar a mesa oficial do evento, ao lado do vereador Eliseu Gabriel (PSB) e da educadora Olga Freitas Nobre, filha do ex vereador Freitas Nobre, ali homenageado.
 

Ao todo, cerca de 130 pessoas compareceram ao ato  que não seguiu um protocolo rígido de programação. Com microfone aberto, muitos dos  presentes compartilharam histórias e lembranças de sua relação com a OBORÉ.

“O Sergio é esse líder natural, esse comitê central ambulante, essa pessoa que nos ajuda, nos mostra caminhos e direções, mas nada disso é possível sem uma equipe (...)”, disse o radialista Marcos Aurélio de Carvalho, que trabalhou com a OBORÉ em ações com rádios comunitárias de todo o Brasil, um dos marcos de atuação da empresa nos anos 1990-2000.  

O radialista fez questão de homenagear toda a equipe da OBORÉ. Em suas palavras, “uma equipe organizada, resiliente, que não é zangadinha, e faz com que as coisas funcionem”.

Muitos dos que ali estavam ressaltaram a importância não apenas pessoal e profissional que a OBORÉ teve e tem, como também o impacto e a influência no fortalecimento de diversas instituições brasileiras. O tom de grande parte dos discursos foi de reconhecimento e de afeto.  

“Em 77, alugamos, a duras penas, uma salinha na Teodoro Sampaio e não sabíamos o que ia acontecer no ano seguinte.  Quando a OBORÉ se instalou na rua Caetés, 94, em Perdizes, um dos primeiros gestos foi convidar o CEBES [para o espaço], de modo que a OBORÉ é a instituição que deu condições para o CEBES existir (...)”.  

Estas palavras são de José Rubem de Alcântara Bonfim, médico sanitarista, um dos criadores   do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (CEBES) ao lado de David Capistrano da Costa Filho, sanitarista,  ex prefeito de Santos e falecido em dezembro de 2000. Ao expressá-las, Zé Rubem diz que a intenção era não apenas demonstrar o carinho e gratidão pela empresa aniversariante, mas também deixar registrado o quão importante foi para os primeiros anos da CEBES o apoio oferecido pela OBORÉ.

“Quando nós começamos a OBORÉ, não existia uma expressão que se fala muito hoje em dia que é o ‘representa’: ‘Genoino me representa, fulano me representa, Feliciano não me representa’ … Mas essa coisa do representar é uma expressão que sempre me causou uma certa estranheza porque eu me identifico na ideia do “reconhecer”. São importantes para mim as pessoas nas quais eu me reconheço, com as quais eu sinto estar do mesmo lado, na mesma luta. E foi isso que me animou há quarenta anos atrás quando começamos a fazer a OBORÉ e o jornalismo sindical. Fico muito feliz em encontrar todos aqui nesta celebração de vida e de luta”, disse Laerte Coutinho, uma das fundadoras da OBORÉ.


Freitas Nobre: jornalista, professor e político  

Neste mesmo dia 24 de março de 2018, o jornalista, professor, advogado e político brasileiro José de Freitas Nobre completaria 97 anos se vivo estivesse.  Sua filha, Olga Maria de Freitas Nobre, recebeu das mãos de Geisa Diaféria, esposa do cronista Lourenço Diaféria (falecido em 2008) , flores que serviram como homenagem ao jornalista que dá nome ao auditório onde o evento ocorreu.

Sobre seu pai, contou aos demais um pouco de sua história. De quando, aos quinze anos, chegou a São Paulo vindo do Ceará com o livro “Epopeia Acreana”, escrito por ele mesmo - debaixo do braço. Ingressou no jornalismo em 1939 e “ficou conhecido como um garoto prodígio”, disse Olga.

“Era exemplo de correção, honestidade, justiça e se vivo fosse, por certo marcharia ao lado dos que defendem a apuração de todos atos ilícitos que afligem hoje o nosso país. Não seria cooptado por falsos correligionários de seu pensamento político para realizar manobras políticas indefensáveis nos dias de hoje”, discursou Olga.

Freitas Nobre trabalhou em diversas frentes. Além de presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo por três vezes, ele - formado em Direito no Largo São Francisco - foi eleito vereador em 1958 e posteriormente vice-prefeito na gestão Prestes Maia, eleito por voto direto do povo.

“É preciso ressaltar que Freitas Nobre adotou e foi adotado por SP, cidade que escolheu para completar seus estudos e onde realizou toda sua vida profissional e política”, apontou a filha do jornalista.

Ele foi deputado por quatro mandatos e também líder do antigo MDB e PMDB. Líder da oposição no Congresso, lutou pela Anistia, pelas Diretas Já, também em favor da eleição de Tancredo Neves e pela elaboração da Constituinte.

“Freitas Nobre foi um político “fora da curva”, como dizem alguns, simplesmente porque era honesto em suas ideias e convicções e não curtia o nepotismo e nem qualquer tipo de desvio de conduta. Falando em termos atuais, não era corrupto!”, reforçou Olga em sua fala. “ Ao falecer não deixou fortuna, nem grande herança, a não ser aquela que até hoje curtem todos os seus descendentes, a honra, que é a maior das virtudes.”, disse.

O ponto alto da festa foi musical. Os cantadores Chico de Assis e João Santana, dupla de repentistas que vive em Brasília e há dezoito anos trabalha com arte-comunicação,  entoaram versos, ali de improviso, sobre a história da empresa e sobre o que viram e ouviram naquela manhã de sábado. “A OBORÉ faz quarenta anos de forma vibrante / chega a idade da loba e como aniversariante / comemorar com os amigos eu acho muito importante”, versou Chico de Assis. A apresentação seguiu a toada de todo o ato, assumindo, por vezes, um tom político.

“E o que podemos fazer? / Melhorar nosso discurso / Para seguir um novo curso / E se antenar ao poder / muito barulho fazer / Aglomerar a multidão / Ir para as ruas com o povão, como já fiz no passado” E para aqueles que queriam entender suas rimas, emendavam: “Isso é quadrão perguntado, isso é responder quadrão”.

A OBORÉ segue com uma programação, intitulada 40+4, ao longo de todo o ano de 2018. Serão ciclos de cinema, debates, entrevistas e atividades para refletir sobre as quatro décadas passadas e o que esperar para os próximos quatro anos em se tratando de Saúde, Educação, Artes e Cultura, entre outros temas.

O ENCONTRÃO foi um novo toque do BORÉ, a flauta tupi usada para reunir a tribo dispersa. Um chamamento para que artistas, jornalistas, trabalhadores - jovens ou não - passem a integrar a parceria e companheirismo na luta em legítima defesa. Pela comunicação, pela justiça social,  pela Democracia.

 

Acesse o site comemorativo dos 40 anos da OBORÉ: www.obore40.com.br
R
egistro Fotográfico do evento: bit.ly/2I49G6U

Leia também: 

Agência Sindical:  OBORÉ reúne parceiros e ativistas e comemora suas quatro décadas
Portal da Câmara de SP:  
Evento na Câmara homenageia Freitas Nobre e os 40 anos da OBORÉ


 

 
 
 
   
  » Indique essa página a um amigo
 
 
 
Avenida Paulista, 2300 | Andar Pilotis | Edifício São Luis Gonzaga | 01310-300
São Paulo | SP | Brasil | 55 11 2847.4567 |
obore@obore.com

Desenvolvimento

KBR Tec - Soluções Online