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  Carta Aberta à família da Dona Berta Mendes Gabriel
Sérgio Gomes, diretor da OBORÉ
  12/04/2017

Devo ao destino a sorte de tantas coincidências que me permitem hoje, 8 de Abril de 2017, estar aqui gostosamente como cúmplice da “Inauguração Afetiva” da Praça Amiga dos Idosos Maria Berta Mendes Gabriel. Há 66 anos sou irmão e companheiro de lutas de Fernando Gomes, morador da Rua Roque Petrella e Presidente do Conselho Fiscal da VIVACORD – Associação dos Moradores da Vila Cordeiro.
 
Sou amigo do peito e companheiro de encrencas do Allen Habert (um dos mais ativos Diretores da VIVACORD) , desde os tempos de Movimento Universitário na USP (70 / 74). Da mesma forma, laços de amizade e de batalhas pelas causas da Democracia e Justiça me unem ao Vereador Gilberto Natalini, hoje Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente. Lá se vão quase 45 anos !!!  Por intermédio do grande Ivan Vilela , compositor encantado e violeiro indescritível, fui apresentado ao Dr. Samir Salman , hoje Diretor Superintendente do Hospital Premier/MAIS mas que, à época ( 2003 ), convertera-se num intenso colaborador do “Centro Cultural 25 de Abril” (do qual eu fazia parte) . Foi o “C25A” que coordenou a revitalização completa do Largo Mestre de Aviz ( Av. Ibirapuera, em frente ao Hospital do Servidor Público Estadual) onde pudemos instalar uma enorme escultura do português José Aurélio em homenagem à “Revolução dos Cravos”.
 
Meu filho Paulo – artista visual e mais conhecido como Paulinho in Fluxus por quem acompanha as jornadas de reconquista dos espaços públicos na cidade de São Paulo – foi quem descobriu o abandonado “Largo Mestre de Aviz” para receber essa obra de arte que simboliza a alegria da vitória sobre uma ditadura que durou 48 anos. Hoje, Paulinho integra a equipe de artistas que está concebendo o “Centro Cultural do Premier” com inauguração prevista para setembro. Eu tinha 10 anos menos do que hoje quando fui chamado pelo Samir (já dispensado de chamá-lo de “Doutor” pois tínhamos nos tornado “ velhos amigos” em pouco tempo) para assumir funções de assessor/consultor de um projeto comandado por ele e que eu não sabia bem dizer qual era . Mas que passou a ser nomeado de MAIS – Modelo de Atenção Integral à Saúde – por sugestão de outro velho de guerra que mora aqui do lado esquerdo do peito : David Braga Jr.
 
Nem bem começamos a trabalhar e fomos parar na Cinemateca Brasileira dirigida por uma pequena equipe que tinha Olga Futemma (outra queridíssima desde os tempos de faculdade) como reserva moral, exemplo de dedicação à coisa pública e entusiasta da democratização do acesso ao que de melhor foi criado na forma de filme. É lá que se dá início às “Sessões Averroes – Cinema e Reflexão” : atividade mensal, patrocinada pelo Premier, frequentada por dezenas de idosos da Vila Cordeiro e que explica, sem dúvida, alguns dos novos padrões de sensibilidade e conduta de centenas de profissionais da saúde em todo o País. 
 
E lá também que germina e floresce o “Prêmio Averroes “ concedido anualmente a personalidades do mundo médico, educacional e cultural que tenham se destacado por serem PIONEIRAS e COMPARTILHADORAS . São muitos os nomes que respondem por essa longa e fértil jornada : Kleber Lincoln Gomes, Ana Luisa Zaniboni, Samir Salman, José Luiz Del Roio, David Braga, Carlos Magalhães, Guto Veloso, Martinho Lutero, Jaime Prades, Branca Braga, Gleice Salman, Luiz Santoro, Lavínia Del Roio, Cristiane Hyppolito, Sira Milani, Milton Bellintani, Goretti Maciel, Dalva Matsumoto, Cristina Cavalcanti, Angélica Yamaguchi, Adel, Hassan, Adnan (todos da Família Salman). Um dia, ainda publico a lista completa... 
 
Foi na Cinemateca, sediada na Vila Clementino, que descobrimos o conceito/desafio de “Bairro Amigo do Idoso” proposto pela OMS – Organização Mundial da Saúde – para cidades grandes que tivessem mais de 10% de população acima de 60 anos. O Samir havia contratado Rita Vaz da Teúba Arquitetura (outra companheira dos idos da Universidade e que se destacava pelo empenho, competência e dedicação às causas humanistas) para desenhar as necessárias reformas do prédio e dotá-lo de características semelhantes a um TRANSATLÂNTICO. Afinal, pacientes de longa permanência (e seus familiares) precisam contar com ambientes agradáveis, belos a variados . Como os passageiros de cruzeiros turísticos .  
 
E o primeiro “ambiente novo” foi a transformação, em 2010, de um auditório acanhado, dois banheiros trambolhos e uma disfuncional saleta de fisioterapia em generoso e belo espaço multiuso : “Espaço de Convívio, Formação, Cultura e Artes – Vila Cordeiro – Bairro Amigo do Idoso / Organização Mundial da Saúde”.
Com essa inauguração, o Hospital passou a oferecer alternativas de lazer aos moradores do entorno que, ao frequentar os ambientes públicos do hospital, tiveram também possibilidade de interagir com os pacientes e seus familiares. Ou seja, Rita não estava pensando só “da soleira da porta para dentro” e deu partida, dessa forma, a um verdadeiro “ Plano Diretor” para a Vila Cordeiro, imaginando roteiros de caminhadas, redefinição de calçadas e novos espaços de convívência. E com isso “descobriu-se” a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. José Dias da Silveira” (tão longe e tão perto do Premier !) , a VIVACORD, a Unidade Básica de Saúde Meninópolis, o Salão Paroquial, a favela Jardim Edite, as duas ruas laterais ao hospital como possíveis áreas de lazer para crianças, jovens, adultos e...idosos (do bairro e pacientes do hospital). Começava a gestar-se, assim, o projeto da Vila Cordeiro como “ 2º Bairro Paulistano Amigo do Idoso”.
 
O primeiro era, sem dúvida, a Vila Clementino que contava – e conta – com o prestígio da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, sua Escola Paulista de Medicina, o Hospital São Paulo e a capacidade dessas instituições em levantar recursos e influir sobre as políticas públicas. Mas descobrimos, para nosso espanto, que a Cinemateca não estava no radar dos articuladores do projeto estimulado pela OMS. Decidimos, então, acionar nosso “ capital de relações” para dotar o magnífico espaço da Cinemateca (um alqueire !! ) de bancos que permitissem as pessoas sentarem-se confortavelmente debaixo da copa das árvores, implementar um antigo e vistoso projeto paisagístico, ou seja, que aquela área pública ficasse “amiga dos idosos”. E fomos procurar o Vereador Gilberto Natalini que sempre se destacou na Câmara como o defensor das causas dos idosos. Imediatamente, ele arregaçou mangas e deu-se a primeira reunião com a Direção da Cinemateca. Na troca de informações e auscultando os desejos da instituição, descobriu-se que a prioridade deveria ser outra: revitalizar o fronteiriço Largo Senador Raul Cardoso. Mal iluminado, calçadas estreitas e descuidadas, um ambiente lúgubre à noite e árido durante o dia. Custou-nos um ano e meio de trabalho para que acontecesse a primeira reunião com representatividade suficiente e, dessa forma, desse partida ao projeto de revitalização do Largo. 
 
Quando Diretoria da Cinemateca, Subprefeito de Vila Mariana, CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, Unifesp, Vereador Natalini, Premier e OBORÉ conseguiram bater o martelo sobre o que deveria ser feito, o Vereador apresentou, então, projeto de Emenda Parlamentar ao Orçamento da Prefeitura. 
Ano e meio depois e R$ 300 mil transformados em postes, lâmpadas modernas, calçadas espaçosas, asfalto novo etc etc estava inaugurado o NOVO Largo Senador Raul Cardoso. Um adendo: o dia da inauguração do Largo coincidiu com a cerimônia de lançamento do projeto Bicicletas do Itaú ocorrida na Cinemateca. Presentes Milu Vilela, Governador, Prefeito, a alta roda da cidade. Desde então, o que ficou na memória do bairro e para muitos frequentadores habituais da Cinemateca é que “o Itaú fez um belo serviço de revitalização do entorno que estava muito abandonado”.
Que fazer ? A vida é assim...
 
Após a conclusão das obras em frente à Cinemateca, Natalini veio conhecer o Premier e tomar ciência dos esboços urbanísticos e das articulações comunitárias. 
Dá-se, então, no novo Espaço do Premier , um magnífico encontro de entidades e personalidades envolvidas com as demandas dos idosos e dispostas a generalizar pela cidade os propósitos recomendados pela OMS. Éramos uns 20. E entre todos, destacou-se Dona Berta como Presidente da VIVACORD.
 
Era uma sexta-feira.
Na saída, eu a acompanhei até o cruzamento da Avenida Jurubatuba com a Roque Petrella quando me concedeu entrevista gravada com uma filmadora que me foi roubada dias depois contendo sua imagem e falas. Ela apontava para aquele beco enorme, congestionado de camionetas e caminhões, onde se fazia o transbordo clandestino de materiais recolhidos na coleta seletiva do bairro .
 
- Eu gostaria muito que essa área viesse a ser uma RUA DE LAZER. Espaço de recreio para as crianças da EMEF José Dias da Silveira e Academia de Idosos. Um lugar arborizado, agradável, com bancos e mesas para piquenique.
Dois dias depois, recebemos o choque da notícia do seu falecimento.Desde então, muita coisa mudou por aqui.
 
E o que nos parecia impossível aconteceu : transformar em Praça uma das pistas da Avenida Jurubatuba (o trecho em frente ao hospital). Isso aconteceu pela participação persistente dos moradores e sua Associação, pelo pessoal do hospital e o apoio decisivo do Vereador que conseguiu aprovar uma nova emenda parlamentar ao orçamento da Prefeitura no valor de R$ 250 mil. E cá estamos nós hoje, plantando 72 mudas neste IMPOSSÍVEL CHÃO, celebrando 72 anos do nascimento da D. Berta.

Impossível também relatar em detalhes o que foi a azáfama, a trabalheira, o mundo de encontros e providências para que tudo esteja funcionando agora com esta alegria. Foi uma verdadeira pororoca de águas que, até então, eram laguinhos separados. Gleice e Fátima Salman , José Pinto , Manuela Salman, André Comune , Filipe Barreto, Lucio Ferracini, Juarez e Giba ,Andréa Brito, Marília Othero, Angélica Yamaguchi , (pelo Premier), Allen Habert, Marcos Smetana, Valéria Sanchez, Lauro José (pela VIVACORD), Regis e Natasha (pela Família). Sei que estou esquecendo muita gente pois não tive como acompanhar de perto o intenso trabalho das duas últimas semanas. Os que não constam, me escrevam para incluí-los.
 
Pois bem : a “Praça Dona Berta” EXISTE e ficou linda !!!
Está aqui para todos verem-na e frequentá-la, cercada de carinho genuíno. Mas ainda espera sua legalização junto aos órgãos governamentais.
 
Não importa. O importante é que ela está tendo uma “ Inauguração Afetiva “ como nenhuma outra Praça de São Paulo jamais experimentou. Como dizia o poeta Gereba: Tudo liga tudo que liga todos que precisam se ligar.
 
Abraços,
Sergio Gomes
 
Em tempo : logo, logo conseguiremos que um carro-pipa da Prefeitura venha dar um trato neste beco da Roque Petrella e aproveite a viagem para limpar também o da Rua Francisco Dias Velho . Talvez, quem sabe, seja o primeiro passo para que ambas venham a converter-se em RUAS DE LAZER e constituam o “Projeto U"      
 
 
 
   
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